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domingo, 19 de março de 2017

UFRN aprova Política de Memória

Acervo Diário 

Marcel Proust, em algum momento no século XIX, afirmava que a melhor parte da nossa memória está fora de nós. Para o autor francês, as grandes manifestações da vida somente adquirem pleno significado ao serem atravessadas pelas memórias. Henri Bergson vai além, ao defender que a consciência é fruto direto dos jogos de interação com a memória. Prestes a completar 60 anos de história, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) supre uma lacuna em sua caminhada, ao mesmo tempo em que evidencia a responsabilidade histórica da universidade: a, pavimentando um caminho institucional para a questão do pertencimento.

A Resolução 17/2017 do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) aprovada em fevereiro passado é fruto de debates cujo início remonta ao ano de 2009, quando da realização do I Seminário Universidade, Memória e Sociedade, no auditório da Biblioteca Central Zila Mamede. Nesses oito anos, as discussões evoluíram e até 2016 foram três edições do evento. Até a finalização do texto, cerca de 50 participantes de unidades da UFRN, entre pesquisadores e técnicos, contribuíram para a elaboração da minuta, cuja condensação das propostas coube à Coordenadoria de Cultura, Memória, Documentação e Museu (CCDM/PROEX) da Pró-Reitora de Extensão.

Resguardar a memória já era uma preocupação expressa em um dos eixos programáticos do Plano de Gestão 2015-2019, da UFRN. Documento de acesso público, o Plano faz menção à necessidade de uma política de preservação da memória institucional. Ao se referir à Política Cultural e à Rede de Museus, ambas aprovadas em 2014 e 2016, respectivamente, a reitora da UFRN, Ângela Maria Paiva Cruz, considera a resolução recém aprovada como “mais um passo para a modernização da gestão de políticas acadêmicas e administrativas”. Ao contextualizar a relação densa e estreita da memória institucional com a identidade e a cultura organizacional, a reitora identifica que, com a Política de Memória, a UFRN estabelece diretrizes claras e objetivas sobre seu papel de responsabilidade na construção, na preservação e difusão da memória material e imaterial.



Rede de ações preserva a memória

Ratificando a importância desses momentos, nos quais surgiram ideias e propostas compiladas ao documento, a relatora Maria de Fátima Freire de Melo Ximenes destacou o apoio e o fomento de ações para preservar a memória material e imaterial no âmbito institucional. O tempo e a memória, preocupações humanas antigas, retratadas inclusive em obras de arte, como A Persistência da Memória, de Salvador Dali, permeiam a reflexão da pró-reitora de Extensão, Fátima Ximenes.

“Nós assumimos um compromisso com a memória, de preservar, manter, contar e difundir a história aos que virão, durante o transcorrer do tempo. A universidade está dizendo que quer contribuir e a política permite justamente a operacionalização do que a Instituição pretende nesta vertente, ao valorar, por exemplo, a importância da articulação entre as suas diferentes unidades, de modo a termos uma rede de ações com esse objetivo de preservar a história”.

A professora Paula Rejane Fernandes, do CERES de Currais Novos, analisa que a Política de Memória contribuirá para promover a construção de espaços de diálogo, espaços nos quais os coordenadores de projetos na área e possam dialogar entre si, compartilhando resultados de suas ações e mais, dialogar com a comunidade. “A Política de Memória da UFRN, assim como a Rede Universitária de Museus (RUMUS) e a Política de Cultural da UFRN, chegam para nortear as ações de pesquisa e de extensão que envolvam a memória institucional, que deve ser pensada em diálogo com a sociedade. É possível por meio dessas ações valorizar a história do ensino superior no Brasil, o processo de interiorização, a história do estado do Rio Grande do Norte entrelaçadas com as histórias de vida dos indivíduos que fizeram parte da instituição”, concluiu Paula Rejane.

Política de Memória

Já disponível para acesso no site da UFRN, a Resolução 017/2017 parte da assertiva de que a memória é sempre uma construção feita no presente, sujeita às questões da subjetividade, seletividade e, sobretudo, às instâncias de poderes. Em cinco páginas, o documento apresenta os princípios éticos e morais que norteiam a Política de Memória, suas diretrizes, objetivos e a composição do Conselho Gestor da Política de Memória da UFRN. Dentre outras competências, o Conselho será o responsável por emitir parecer sobre a possibilidade da Instituição receber arquivos, coleções ou produções culturais, sejam físicos ou digitais, de outras instituições ou de particulares. Além disso, normatizará as orientações de como os setores da UFRN devem proceder em relação à guarda, preservação, disseminação e descarte de acervos de natureza material ou imaterial, produzidos pela Instituição.

Site da UFRN - http://ufrn.br/

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